Histórias Eternas

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Traduzido por: Yara Araújo

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Na semana passada eu dirigi até o Vale da Morte para fotografar algumas paisagens. É maravilhoso sair de Los Angeles e se reconectar com a natureza uma vez ou outra, e tirar fotos é uma das minhas maneiras favoritas de fazer isso. Então, antes do por do sol eu fui até Badwater, que fica a mais ou menos a 86 metros do nível do mar e é conhecido por suas salinas de aparência distintiva, que formam uma espécie de padrão interminável.

Assim como El Capitan em Yosemite, Badwater é um desses lugares icônicos que os fotógrafos amam visitar e capturar com suas câmeras. No meio dessas salinas, enrolado com um casaco, chapéu e luvas a fim de afastar o frio, eu me esforcei para descobrir qual seria a minha opinião sobre esse lugar. O que diferenciaria minha foto das milhares de fotografias que foram tiradas antes? Eu sempre me empenho em ser original com qualquer tipo de arte que eu trabalho e sempre espero dizer algo que ninguém tenha dito antes.

Foi aí que eu percebi que o ponto não era esse.

Eu não venho a lugares como esse porque vou criar uma imagem que nunca tenha sido vista antes.  Eu venho para me conectar com o atemporal e eterno.

Essas localizações de paisagens, muitas das quais se situam em parques nacionais, mantêm-se praticamente inalteradas. Elas estão intactas e inalteradas há milhares de anos (exceto os estacionamentos, toaletes e outras amenidades modernas). Em 2011 eu tirei algumas fotos no Antigo Pinhal de Bristlecone, onde estão situadas árvores com mais de 3000 anos.

Então, mesmo estando no Vale da Morte em 2013 com uma câmera digital moderna, eu estava me conectando com algo antigo e primitivo.

E isso me fez pensar sobre histórias. Por que nós ainda lemos os clássicos, ou por que nós ainda vamos ao cinema para ver a mais recente encarnação de um conto de fadas ou um mito de um super herói? Eu penso que, observando e lendo histórias que têm sua base no passado, nos conectamos com a parte de nós que é mais primitiva. Isto fornece um tipo de continuidade para nossas vidas modernas. Nós podemos estar cercados e conectados pela tecnologia, mas as histórias precedem tudo isso. Elas nos motivam e ajudam a entender quem realmente somos.

Em “Breve História do Mito”, Karen Armstrong escreve, “Um mito é um evento que, de certo modo, tinha acontecido uma vez, mas que também aconteceu o tempo todo… A mitologia é uma forma de arte que aponta além da história para o que é eterno na existência humana, ajudando-nos a superar o fluxo caótico de eventos aleatórios e vislumbrar a essência da realidade.”

Será que eu “vislumbrei a essência da realidade” lá fora, nas salinas? Talvez um pouco. Eu sei que me senti em paz e ligado a algo maior que eu. Eu assisti com admiração o nascer do sol, assim como acontece todos os dias desde milhões de anos atrás. Em casa, eu costumo acordar quando o sol já completou seu ritual matinal.

Talvez seja um pouco irrealista nesses dias de reality shows e canais de notícias 24 horas, mas eu penso que nossas melhores histórias devem fornecer-nos um sentido de atemporal e nos ajudar a entrar em contato com o que realmente importa.

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9 de December de 2016

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