O que é uma história?

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Traduzido por: Wiker Sthal

No livro Ganhando a Guerra das Histórias, o autor Jonah Sachs define uma história dessa forma:

“Histórias são um tipo particular de comunicação humana designado a persuadir uma audiência à visão de mundo de seu contador.”

Normalmente quando falamos de história, pensamos em personagem, roteiro, enredo, cenário, diálogo — todas as técnicas que usamos para criar uma história, mas que sozinhos, não fazem necessariamente uma.

 Uma crítica comum que eu já ouvi sobre livros, filmes, ou séries de TV é: “Não teve história nenhuma.” Tenho certeza que eu já disse isso um punhado de vezes sobre um filme em particular do qual eu não gosto. Mas olhando mais atentamente, todas essas mídias têm personagens, enredos, cenários e diálogos. Eu posso não gostar de um personagem ou enredo em particular, mas eu não posso negar sua existência. Então uma história tem que ser algo mais. E a definição de Jonah Sachs nos dá um pouco mais para seguir em frente.

Ele usa três palavras em particular que se destacam para mim como sendo vitais para entender melhor uma história: comunicação, persuasão, e visão de mundo.

Uma história é a visão de mundo do autor — no que ele acredita, e seus valores.

O autor está tentando persuadir a audiência para a visão de mundo dele. Se um autor realmente não acredita naquilo que ele está tentando dizer, a audiência também não vai.

E o argumento do autor precisa ser comunicado de uma forma clara e honesta. Ele pode ter algo importante a dizer, mas se isso for dito de uma forma confusa, ou escondido debaixo de camadas de falsidade, a audiência vai ser indiferente à história.

Eu acho que quando essas três coisas estão em sintonia, a história tem muito mais chance de ser bem-sucedida. Isso é uma garantia? Provavelmente não. Mesmo a mais universal história de amor, liberdade, e justiça às vezes decepciona. É parte do mistério da arte e da escrita.

Eu pensei em dar uma olhada nos dois filmes de mais sucesso desse ano (tanto comercialmente quanto na crítica) e ver se eu consigo notar essas três categorias em suas histórias.

Como eu já mencionei em uma postagem anterior, As Aventuras de Pi foi o meu filme favorito esse ano. E depois de assisti-lo, eu li o livro e fiquei impressionado com a fidelidade com que os cineastas o adaptaram. Aqui está minha interpretação.

A visão de mundo do autor (e do cineasta): “A vida é uma história. Você pode escolher a sua história. Uma história com Deus é a melhor história.” De uma entrevista com Yann Martel.

Como eles nos persuadem: Sem entregar nada de bandeja, tem uma cena muito persuasiva no livro e no filme que ilustra a visão de mundo do autor muito claramente, e pergunta à audiência a questão — que tipo de história você prefere? Uma com Deus ou uma sem? (E para ser claro, eu não interpreto o uso do autor de Deus como referência a nenhuma religião em particular, mas como um sinônimo para espiritualidade ou fé.)

Como eles comunicam: Os temas de espiritualidade e fé, bem como a busca do herói por significado enquanto explora os mistérios da vida permeam toda a história.

Agora, no outro extremo do espectro está 007 — Operação Skyfall. Está na minha mente porque eu vi há algumas noites. Normalmente, nós não associamos filmes de ação com temas profundos, mas eu fiquei surpreendido por esse ter e isso me marcou. E eu acho que é por isso que Skyfall se tornou o filme de maior sucesso na história de James Bond.

A visão de mundo do escritor e do diretor: O mundo é um lugar mais perigoso que nunca, cercado por novos inimigos sem conexões com governos e nós precisamos nos adaptar para derrotar essas ameaças.

Como eles nos persuadem: Eles mostram à audiência que um herói como James Bond não é uma relíquia do passado. Através do desenvolvimento do personagem e da ação dinâmica, os cineastas me convenceram que, sim, de fato James Bond ainda é relevante (o que eu não acreditava antes de ver esse filme). Bond se reinventou e se adaptou para enfrentar qualquer desafio que surgir em seu caminho.

Como eles comunicam: O lema “um cachorro velho ainda pode aprender truques novos” foi deixado claro em vários pontos durante o filme. De fato, um personagem chega a dizer uma variante disso. Uma frase clichê talvez, mas uma ideia que todos entendem.

Você poderia tentar aplicar isso para os seus livros, filmes, e séries de TV favoritos. Isso pode trazer alguma luz sobre porquê algumas histórias marcam você, e algumas não. Eu adoraria saber se isso funcionou com vocês.

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5 de December de 2016

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