Óscar: por que Hollywood deve tomar nota dos indicados a Melhor Filme

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Traduzido por: Lory Fernandes

O Óscar acontece na próxima semana, e observando a lista dos indicados a Melhor Filme, eu estou surpreso por ter visto a maioria deles (tirando Amor, Django Livre e Argo). Mas eu também estou surpreso que esses filmes, em geral, tenham sido excelentes longas que se conectaram a diversos públicos.

Essa cultura de filmes pensantes, desafiadores e, às vezes, controversos provou que o público não somente quer filmes estúpidos de verão. 6 dos 9 filmes renderam mais de 100 milhões dentro do país. E fora deles, Lincoln foi o que rendeu mais (em torno de 176 milhões na última contagem) o que é assombroso, considerando que o filme é essencialmente um drama direto e sem ação, sem efeitos especiais óbvios, e sem apelo sexual (embora os fãs de Daniel Day Lewis possam discordar). Eu amo ficção e drama históricos, então eu realmente gostei do filme como uma recriação histórica dos eventos daquela época, mas eu tenho que admitir que eu também me achei um tanto impaciente durante os debates na casa. Porém, eu gostei de como ele apresentou algumas questões profundas sobre a natureza da liberdade, coragem, e convicção pessoal face à grande oposição.

O que eu tirei de Os Miseráveis foi que todos nós temos o poder de superar nosso passado e escolher um novo caminho, não importando como os outros nos definam. Espiritualidade e fé também foram temas majoritários no filme.

O filme A Hora Mais Escura foi duro de assistir, mas eu penso que ele trata de uma importante questão, sobre se usar a violência para acabar com a violência funciona, ou é um esforço inútil que vai nos deixar, como uma nação, desolados e destruídos espiritualmente.

E nas Aventuras de Pi, meu filme preferido do ano, havia essencialmente uma meditação sobre o significado da história e da crença. Diferente dos outros, este teve vários efeitos que foram maravilhosamente executados e eram vitais para a continuidade da história. Eu quero me aprofundar mais neste conto, tanto livro quanto o filme, em algum post futuro.

O que eu tirei desses filmes por inteiros foi que a audiência anseia por histórias profundas, e que ela deseja ir para o cinema para explorar questões como “quem nós somos” e “porque nós estamos aqui”. Filmes que comumente são os queridinhos dos críticos e são considerados mais “sérios” não são grandes sucessos de bilheteria e é por isso que os estúdios não querem investir neles. Mas eu penso que aqueles com o poder de liberar estes filmes têm muito a considerar depois do Oscar deste ano.

Um dos maiores desapontamentos deste ano foram os filmes cujos orçamentos foram imensos – John Carter: Entre Dois Mundos sendo um dos exemplos mais divulgados. Aparentemente há uma crença ao redor dos estúdios de que quanto maior o risco, maior a recompensa. E às vezes a aposta compensa – Os Vingadores, por exemplo, que eu realmente gostei, a propósito. Todos os estúdios matariam para ter o próximo Os Vingadores. Mas por que estes estúdios não estão desejando fazer filmes com orçamentos mais modestos que produzam retornos nos seus investimentos?

Eu acredito que haja uma combinação entre os estúdios (coisa que eu ouvi em primeira mão) para fazer o foco ficar nos filmes dos holofotes, do que em um filme de orçamento extremamente baixo. Eles não estão realmente interessados em filmes com orçamentos medianos (20-70 milhões de dólares) e não têm estado por um tempo. Mas todos os indicados (menos Django, com a marca de 100 milhões) tiveram orçamentos dentro dessa média. Indomável Sonhadora e Amor foram abaixo dessa média.

Os estúdios nunca vão se livrar dos filmes de verão sob os holofotes, mas eu penso que eles estão perdendo uma enorme oportunidade de produzir histórias com um pouco mais de profundidade durante o processo de desenvolvimento.

Quais foram alguns dos seus favoritos filmes do ano? Que histórias te tocaram?

Todos os valores orçamentais eu tirei do Box Office Mojo.

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7 de December de 2016

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