Argo: história salva o dia

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Traduzido por: Wilker Sthal

Aviso rápido — se você não gosta de spoilers, então pode querer não continuar lendo.

Eu finalmente assisti Argo nesse fim de semana. Desde quando eu ouvi falarem sobre esse filme, o conceito realmente me intrigou. Eu costumava gostar de filmes velhos, exagerados e undergrounds, e a ideia de um agente da CIA fingindo fazer um como distração para poder salvar reféns do Irã foi bem intrigante.

Uma análise curta: elenco brilhante, grande direção, e mesmo que você saiba que os reféns vão sair dessa bem, a tensão era palpável através do filme.

Mas a parte que ainda está grudada na minha cabeça dois dias depois, é a cena de tensão no aeroporto. O personagem de Ben Affleck, Tony Mendez, conduziu com sucesso os reféns para o aeroporto sob o pretexto de estar produzindo um filme de ficção científica. Eles estão quase entrando no avião, quando os guardas do Exército Revolucionário os abordam para fazer algumas perguntas. É como ser tirado da fila pela alfândega, mas invés de uma inconveniência menor, pra essas pessoas era uma questão de vida ou morte.

E como elas escaparam disso? Contando uma história. A história de Argo, pra ser exato. E não é uma história particularmente memorável. Acho que haviam alguns alienígenas, um herói que salva uma mulher, e uma batalha com armas de laser.

Mas o que fez esse momento funcionar tão bem no filme, foi que a pessoa que contou a história não foi o agente da CIA Tony Mendez, um cara que já havia lidado com situações assim anteriormente. Não, o cara que deu um passo à frente foi Joe Stafford, um personagem que, até esse ponto da história, estava assustado. Ele não acreditava no plano e pensou que seria suicídio tentar sair do país fingindo trabalhar na produção de um filme de mentira. Mas quando confrontado pelo inimigo, esse cara contou a história de Argo para os guardas em sua língua nativa e não perdeu o ritmo.

De uma perspectiva de contador de histórias, foi uma escolha inteligente ter Stafford, não Mendez contando a história. Mendez sabia a história de disfarce de cor e salteado e acreditava nela. Stafford, nem tanto. Então foi criada mais tensão dramática por deixar esse momento para Stafford.

No começo, os guardas estavam desconfiados. Mas Stafford se dedicou à história, descrevendo os personagens e o roteiro, até mesmo mostrando alguns roteiros para eles. Os guardas foram fisgados. Eles se perderam na história. Eles abaixaram sua guarda por um momento.

Esse evento, junto com o chefe dos guardas confirmando sua história de disfarce, permitiu que eles embarcassem no avião e escapassem.

Mesmo depois que o grupo se foi, há uma cena dos guardas olhando para os desenhos do roteiro e fazendo sons de armas de laser, fazendo uma encenação da história.

Mesmo que essa cena com os guardas aparentemente não tenha acontecido nos eventos reais em que a história de Argo é baseada, isso não diminui o significado:

Histórias tem o poder de nos salvar.

Foi isso que me deixou marcado. Eu acho que com certeza há outras mensagens para serem tiradas desse filme, mas essa foi a que realmente de destacou para mim.

Toda a missão dependia de que esse grupo pudesse fingir plausivelmente ser a equipe de um filme procurando cenários para uma história fictícia. Tematicamente, fez todo sentido que a história salvasse o dia.

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  • Robson Campos

    acho esse homem genial. adoraria poder conhecê-lo um dia só pra trocar umas idéias…
    ótima tradução do texto também, obrigado por trazer isso pra todos Wilker Sthal e mundo avatar

5 de December de 2016

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