Em entrevistas Co-Criadores falam sobre os livros 3 e 4

kay e opal

 

Como parte da promoção de lançamento da última temporada de A Lenda de Korra os co-criadores do Universo Avatar, Bryan Konietzko e Michael DiMartino, concederam  uma série de entrevistas a diferentes portais americanos que cobrem a cultura pop e discutiram detalhes da série, especialmente detalhes acerca dos Livros 3 e 4. O Mundo Avatar resume e traduz aqui algumas das respostas.

AVISO: DEPENDENDO DO SEU PONTO DE VISTA, AS ENTREVISTAS PODEM CONTER SPOILERS, LEIA POR SUA CONTA E RISCO.


 

Entrevista ao site Spin Off Comic Book Resources (Leia na integra clicando aqui)

Spin Off:  Analisando a 3 ª temporada da série, mais do que nunca, vocês realmente fragmentaram a estória. Quase todos os personagens principais tinham seus  próprios enredos se desenvolvendo além do que Korra estava fazendo. Qual foi segmento mais importante da temporada, o que exigiu mais foco?

DiMartino: Era tudo sobre a nova Nação do Ar. Assim que descobrimos que a missão de Korra era encontrar essas pessoas e reconstruir essa nação, isso se tornou o gancho fundamental para a primeira metade da temporada. E, em seguida, ainda desempenhou um papel de destaque no final. Isso era algo realmente importante, pois estava revitalizando o legado de Aang – isso era algo que ele gostaria de ter visto acontecer – e também era algo que tem a ver com o trabalho do Avatar, trazer o reequilíbrio ao mundo. Talvez essas pessoas não teriam se reunido naturalmente. Eles precisavam de alguém para unifica-los .

Konietzko: E então tivemos que equilibrar isso com os bandidos, o que foi muito divertido. Lembro-me de tentar encontrar a melhor maneira de unificar essas duas histórias. Foi divertido, porque era bom fazer com que o gancho da temporada fosse algo positivo. Não era uma grande guerra. Isso foi  algo novo para nós. Por isso, foi divertido, mas depois se alinhou com quatro terríveis criminosos.

Spin Off:  E os personagens ganharam o retorno de Zuko e alguns outros aspectos que estão de volta em Avatar . Quando vocês planejaram toda a série, foram estes alguns dos itens que vocês tinham em mente que poderiam ser usados a longo prazo?

DiMartino: Eu acho que com coisas como Zuko, foi sempre uma carta que a gente estava guardando. Era como, “Nós adoraríamos ter esse cara de volta, mas onde vamos querer fazer isso?” Nós não queríamos que fosse uma daquelas coisas que foram feitas no  Livro 1. Nós já utilizamos um milhão de ideias lá …

Konietzko: E tantos personagens.

DiMartino: Sim. Assim, com tudo isso, tivemos que olhar para cada temporada no sentido de equilibrar isso com os (novos) personagens principais. Com a Red Lotus, fazia sentido unir isso ao passado da Korra, fazia sentido quando tentaram raptá-la que o Zuko estivesse lá. Isso apenas se encaixou como uma história sobre a tentativa de compensar algo no passado.

Konietzko: É engraçado porque os fãs vê-lo de volta, eles amam aquele cara e esperam vê-lo em todos os episódios de agora em diante. Mas é como se em cada episódio são  três segundos para cada personagem. [ risos ] Você tem que deixar algumas peças de lado e pensar nisso como jardinagem. Você tem que esperar que as coisas amadurecem antes de cortá-las.

Spin Off:  Uma das principais características personalidade de Korra é que ela é super teimosa, e seu excesso de confiança fica em seu caminho uma grande parte do tempo, no entanto, foi algo amolecido um pouco mais na 3ª Temporada. Com todo o planejamento que vocês fazem, é daquelas ideias que se desenvolve por conta própria?

Konietzko: Não quero dizer que temos todas às nuances, os altos e baixos traçados desde o começo, mas se alguma coisa, nós sabemos o que o arco do personagem será desde o início. Isso é mais do que “Vamos trazer esse cara de volta.” Mike e eu falamos sobre cenários e coisas do tipo – como “isso é uma espécie de cidade da era do jazz” – mas até que tenhamos o personagem é partir daí que o mundo se expande. Quando nós pensamos em Korra, ela era combativa e uma pessoa empreendedora. Ela realmente abraça seu papel. Então, se ela já estava lá quando começamos a série, onde poderíamos levá-la? Era humildade, auto-consciência e maturidade afim de levá-la em um arco espiritual. Então é um tipo de arco oposto do que o Aang tinha.

DiMartino: Isso é o que eu amei sobre o primeiro par de temporadas. Ela está em mais do que uma missão altruísta. Ela não está ativamente tentando derrotar algo de imediato. Ela está tentando reconstruir essa coisa e criar algo bonito e novo. É legal vê-la quase como uma figura materna ao trazer de volta a Nação do Ar.

Spin Off:  Eu sei que na 2 ª temporada, Varrick foi o personagem que todos meio automaticamente gostaram. Vocês tiveram um acréscimo de destaque para o elenco na 3 ª temporada?

DiMartino: Há tantos bons. Eu amo Opal. Há algo sobre ela e relacionamento de Bo e Lin que é realmente doce. Eu queria escrever um personagem que era apenas uma … Garota legal… Mas sem ser chata! Essa foi a parte mais complicada.

Konietzko: Você não quer fazê-la estereotipada. Mas ela parece genuína.

DiMartino: Sim, ela é uma garota que cresceu sob a sombra de sua mãe e descobre que ela tem essa nova habilidade. Ela tem o conflito de deixar sua família para prosseguir neste novo rumo. O projeto dela é ótimo também.

Konietzko: E Su Yin, a mãe, que é a matriarca do clã Metal é divertida. E então Zahir … realmente todos os bandidos são divertidos.

DiMartino: Eu amo todo o enredo das irmãs Beifong e a introdução da cidade.

Spin Off:  Assim, como embate entre a nova nação do Ar e a Lotus Vermelha conduziu o final (do livro 3), o que você pode dizer sobre como a história  a quarta e última temporada irá ser conduzida?

Konietzko: Nós não queremos adiantar nada, porque as pessoas poderão vê-la em breve, mas vamos dizer que tudo irá se encaixar de ótimo jeito.

 


 

Entrevista ao site Complex (Leia na integra clicando aqui)

Complex: Até que ponto os livros do 2 ao 4 foram conceitualizados como uma história longa ao invés de 3 arcos curtos? Isso modificou a capacidade de vocês reagirem às partes individuais da série que iam se interligando conforme a produção avançava?

DiMartino: No inicio, A Lenda de Korra foi concebida pra ter temporadas isoladas com um vilão novo de cada vez, ao contrário de Aang, que tem um único arco durante três temporadas. Não fazíamos a menor ideia, quando começamos, quantas temporadas “Korra” teria, mas quando recebemos o sinal verde pra fazer a segunda leva de 26 episódios (que formam os livros 3 e 4) sabíamos que poderíamos trabalhar em mais conexões entre as temporadas, enquanto mantendo-as com histórias separadas. O maior elo ligando elas é o que acontece no livro 2, quando UnaVaatu libera as vinhas espirituais sobre a Cidade República. Essas vinhas tem um enorme papel na última temporada! E também, podemos ver o arco da personagem da Korra até o fim. Ela ainda tem muito a se reabilitar e muita busca espiritual a fazer antes que sua jornada termine.

Complex: Como visto no trailer, parece que o livro 4 irá se passar três anos depois do fim do livro 3. Por que o timeskip, e o quanto a gente pode esperar que seja revelado do que a gente perdeu nesse meio tempo?

DiMartino: Eu amava quando séries como Battlestar Galactica, 24 Horas e Lost avançava no tempo no fim de (ou entre) temporadas, e um timeskip dramático fez sentido pra história que a gente queria contar no livro 4. Nós precisávamos que algum tempo se passasse pra que a situação política no Reino da Terra evoluísse e pra Korra ficar fora de combate por um tempo. Todo mundo cresceu um pouco e seguiu com suas vidas e há informação o suficiente que a gente pôs pra explicar como os personagens chegaram onde eles estão agora. Nós dedicamos um episódio inteiro à Korra e sua jornada emocional e de cura, começando no fim do livro 3 e seguindo sua recuperação até o começo do livro 4. É um dos nossos episódios mais impares, em termos de enredo, e um dos quais eu estou muito orgulhoso.

Complex: O tema da última temporada, Mudança, parece que definiu muito a Korra e como o mundo Avatar evoluiu, principalmente com a introdução de formas especializadas de dominação. O que tem sido o motor criativo entre o fluxo intenso no qual o mundo tem estado desde o livro 1?

Konietzko: Desde a essência da série, eu e Mike estávamos muito interessados em explorar o tema da tradição contra o progresso. Nós sempre gostamos da batalha por equilíbrio sendo um tema principal de nossas histórias, então conforme nós introduzimos todas essas mudanças ao Mundo Avatar, nós vemos como as pessoas reagem e tentam se realinhar. Às vezes isso força um personagem a confrontar algo sobre si mesmo, e às vezes leva as pessoas a fazer coisas perigosas e desesperadas. Grandes mudanças aconteceram no fim do livro 2 e durante o livro 3, portanto nós conseguimos ver essa luta por equilíbrio surgir no livro 4.

Complex : “Korra” tem aparecido cada vez mais como um questionamento de diferentes filosofias políticas – o igualitarismo radical de Amon, o anarquismo da Lótus Vermelha, a rainha totalitária no Reino da Terra e, claro, a criação da Nação do Ar. Quanto disso foi consciente, e existe um ideal político em particular guiando a série ou a Korra?

Konietzko: Sim, todas elas foram análises conscientes de ideologias políticas particulares. Nós queremos que os nossos vilões e antagonistas tenham motivações distintas. Quanto a empurrar uma única cartilha política, eu não acho que a gente vá fazer isso na série um dia. Estamos mais interessados em olhar para essas ideologias de diferentes ângulos, e explorar as relações dos personagens com essas crenças. Qualquer cartilha política pode e vai ser corrompida por poder e/ou medo. E sempre existirão culturas contrastantes, então é interessante que exista um Avatar parado no meio disso tudo, tentando equilibrar o mundo enquanto tenta continuar frio e imparcial. Korra e Aang no fundo lutam por liberdade, igualdade, e direitos humanos básicos, e eu acho que eu e o Mike estamos felizes com impor essa cartilha.


Para o portal IGN eles participaram de um podcast do site, a gravação em vídeo, você confere a seguir:

 

O livro 4: Equilíbrio estreia hoje, 03 de Outubro no nick.com e no nick app. Para mais informações fique ligado no Mundo Avatar.

P.S Agradeço a gentileza do bender Rodrigo Felipe que ajudou em grande parte da tradução. Obrigada, Rodrigo.

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  • Gabriel Apolonio

    Na hora em que o Bryan falo que no livro 4 tudo vai ser encaixar bem pensei no ciclo avatar.

  • Well

    A Toph parece ser a personagem mais querida do que Katara e Zuko em Korra. Pelo que eu vejo na reação das pessoas parece.

    • Lucas André

      Não é bem isso, é que a Toph é a melhor dobradora de Terra e metal e ela vai ser uma ótima aliada contra a Kuvira, e foi bom ver a Katara no início com os filhos dela e do Aang ;D

  • Toga

    Da última vez que eu li uma entrevista com autor antes da estreia de sua série não deu nada certo… pelo menos não fizeram muitas promessas.

  • Gualberto Silva

    Felizmente, essa série pode durar enquanto os criadores tiverem imaginação, pq o ciclo avatar sempre vai se renovar, então se daqui a uns anos eles quiserem fazer outro avatar pode dar certo!

  • Ehelmer

    Bem legal mesmo, tirei até algumas duvidas lendo.
    Obrigada Mundo Avatar e ao Rodrigo é claro

  • Victor Macgrath

    É incrível como eles desenvolvem a história, estou ansioso para o Livro 4 =)

  • Luyde Souza

    “Konietzko: E Su Yin, a mãe, que é a matriarca do clã Metal é divertida. E então Zahir … realmente todos os bandidos são divertidos.”

    É falta de interpretação minha , ou eles deixaram a entender que Su Yin será uma bandida ?o.O

    • Sergio Henrique

      Pensei q tinha sido o único a entender isso

  • Denner

    Assisti alguns episódios do Livro 3 dublado! Achei que alguns personagens ficou bom já outros nem tanto! E a voz da avó de Mako e Bolin, é a mesma daquela senhora que ensinou Katara a dobrar sangue!

  • Lucas André

    Eu reparei que vimos a Katara e os filhos dela com o Aang, vimos as filhas da Toph , e o Sokka não teve filhos esposa não mostrou nada sobre ele.

    • Caio Ribeiro

      Esposa foi a Suki, a guerreira Kyoshi, agora oq aconteceu com o Sokka e a Suki e se eles tiveram filhos já é um mistério

      • Lucas André

        Pois é, isso que achei chato, não mostrou como foi a conquista do Sokka com a Suki, eu já sabia que eles tinham terminados junto.

  • Filipe Portella

    não sei se vcs perceberam, mas esse Avatar se passa na segunda revolução industrial e o primeiro no iniciozinho da primeira revolução, gostaria de ver um avatar na Revolução Técno-Cientifica seria bem interessante.

  • Natanael

    Quando irá lançar os ep 2, 3, 4 assim por diante. tem uma data marcada ?

  • Marcos Paulo Matos Gonlçalves

    Não sei vocês, mas eu não gosto da ideia de ter um vilão a cada temporada, esse estrangula muito a história, não há tempo de conhecer os personagens e das coisas se desenrolarem, pra mim a saga de Aang foi muito superior, quando terminei me deu aquela sensação de vazio, não vou dizer que nao gostei da saga Korra, só acho que seria melhor se todas as temporadas focassem em um único problema, coisas como o mundo espiritual poderiam ser abrangidos no decorrer da história, assim como viloes como, Zao (não sei como escreve hehe) e a irmã do Zuko participaram como vilões e tiveram uma ótima participação, sei que muitos criticarão esse pensamento ,mas, pra mim! Korra não chega nem aos pés do Aang, mas por esses motivos, o potencial de um ou de outro poderia ser o mesmo se fosse levado da mesma forma…

5 de December de 2016

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