Avatar, uma das melhores séries de todos os tempos

Quando as pessoas falam da atual era de ouro na TV, elas normalmente referem-se a grandes dramas como “Breaking Bad” ou “The Wire”. Estou aqui hoje para dizer que “Avatar: The Last Airbender”, uma série animada sobre um grupo de crianças mágicas que saem voando em um búfalo, merece estar entre esses grandes dramas.

Eu normalmente falo sobre isso em uma conversa casual. “Já viu Avatar?” Eu pergunto. “É uma das minhas séries favoritas.”

“Você quer dizer os aliens azuis?” Meu amigo interlocutor vai responder, acompanhado de um olhar de estranheza.

“Não, não quero dizer os aliens azuis,” Vou dizer. “Aquele filme foi lançado anos depois do verdadeiro Avatar acabar! Estou falando d’O Último Dobrador de Ar. É uma série animada da Nickelodeon sobre crianças que usam poderes elementais para salvar o mundo.”

Nessa hora eles me dão outro tipo de olhar de estranheza.


Avatar: The Last Airbender foi exibido na Nickelodeon entre 2005 e 2008. Durante esse tempo, “The Sopranos” e “The Wire” estavam tendo novos episódios. Walter White não se tornaria Heisenberg até depois do último episódio ser exibido.
A série abrangeu três temporadas, com um total de 61 episódios com em média meia hora de duração e classificado para crianças de 8 anos para cima. Sou muito mais velho que oito mas posso dizer sem piscar ou qualquer nostalgia infantil que Avatar deveria ser considerado uma das mais prestigiadas ao lado das outras séries já citadas. Esta não é uma opinião controversa entre os muitos fãs da série, mas é difícil de convencer quem ainda não assistiu.

Por várias vezes tentei explicar para as pessoas o porquê elas deveriam assistir a essa série. É uma série infantil, tenho ciência disso, mas é uma das mais sofisticadas. Começa devagar, mas posso dizer, continue assistindo. Ela constrói seu mundo tijolo por tijolo, e trata seus personagens com o mesmo nível de diligência como a trama de “Game of Thrones” o faz. A história amadurece junto com os jovens heróis, e conta uma das maiores histórias de redenção da história da TV. Há ação, romance, tragédia, comédia e ovelhas com cara de koala. Eu consegui relevar, normalmente não faço isso.

No desenvolver desse artigo, revelarei tudo o que acontece na série. Então se você se importa com spoilers, sugiro que a assista primeiro. Talvez assista mais uma vez. Estarei aqui quando você terminar.


Ela começa com uma base extremamente sólida.

O mundo do Avatar inicialmente é mostrado em sua totalidade, mas logo ele é revelado com sendo um lugar complicado com uma história complicada, dividido por muitos regimes assim como mundos das séries como “Game of Thrones” e “Firefly”.

Cada episódio é precedido por uma breve introdução que resume o fundamento da história. No final da terceira temporada você provavelmente já saberá de cabeça:

“Água, Terra, Fogo, Ar. Há muito tempo atrás, as nações viviam em paz e harmonia. Então, tudo mudou quando a Nação do Fogo atacou. Só o Avatar consegue dominar os quatro elementos e pode impedi-los. Mas quando o mundo mais precisa dele, ele desaparece. Cem anos se passaram e meu irmão e eu descobrimos o novo Avatar…”

É um começo simples e direto. Pode não ter tanto efeito como “um mafioso que tem uma estressante vida familiar suburbana” ou “um professor de química que está morrendo e decide fazer metanfetamina”, mas estabelece uma estrutura que mesmo apelando para a fantasia consegue também compreensível para aqueles que não ligam para isso e só querem entender que a história tem pé e cabeça.

O mundo de “O Último Dobrador de Ar” é dividido em quatro nações: Água, Terra, Fogo e Ar. A cultura de cada nação está associada com as características de seus elementos. Nômades do Ar vivem nas alturas perto das nuvens, sem conexão com bens materiais. Cidadãos da Nação do Fogo tendem a ser impulsivos e “pavio curto”. O povo do Reino da Terra é duro e orgulhoso. Uma certa porcentagem das pessoas são “dobradores”, capazes de praticar uma arte marcial que permite manipular um elemento.

As nações costumavam viver em paz, guiadas por um poderoso guardião chamado “Avatar”. O Avatar tem o poder de dobrar os quatro elementos, e a cada vez que ele ou ela morrem, reencarnam em um novo corpo e precisa ser treinado para tornar-se mais uma vez o Avatar.

Há um século atrás, o Avatar desapareceu no mesmo momento em que a Nação do Fogo começou uma guerra para conquistar as outras três nações. O exército da Nação do Fogo dizimou todos os Nômades do Ar — com certeza uma das histórias mais sombrias da série. — e começou a também destruir sistematicamente a Tribo da Água do Sul. A Tribo da Água do Norte abandonou sua irmã e escondeu-se atrás de suas muralhas de gelo. O Reino da Terra resistiu aos ataques da Nação do Fogo por décadas, mas depois a guerra tomou outro rumo.

Tudo muito fácil de acompanhar, não é? Fogo está queimando fora de controle e o mundo está em desequilíbrio. Um casal de crianças acha o Avatar preso dentro do gelo em algum lugar do Polo Sul, e partem para uma missão de acabar com a guerra e salvar o mundo. Eles são perseguidos pelo Príncipe Zuko, o príncipe da Nação do Fogo que foi banido por seu pai e acredita que pode restaurar sua honra apenas capturando o Avatar e levando-o para casa.

Cada temporada é baseada em um dos elementos exceto o Ar. No decorrer da temporada, Aang aprende o elemento correspondente à mesma. Personagens constantemente aparecem na narrativa para entender onde eles devem ir e porque. Há um eclipse chegando que dará grande poder à Tribo da Água? Há um cometa que trará poderes inimagináveis à Nação do Fogo? Se for, você pode apostar que que os personagens principais vão se virar para resolver o problema na temporada.

Esse esquema simples sem sombra de dúvida faz com que uma criança de oito anos entenda o que está acontecendo e acompanhe a história. Isso é um dos grandes fatores que fazem Avatar ser ótimo. Isso por que…


Ele usa materiais simples para criar um mundo acreditável.

Avatar constrói seu mundo bem à nossa frente. Ele o faz cuidadosamente, um tijolo por vez. Cada episódio introduz um ou dois personagens ou conceitos, tomando muito cuidado para garantir que o novo elemento se encaixe com o antigo. Toda vez que aprender algo novo, aprendemos por que precisamos. Uma vez que sabemos, ele vai ser relevante em algum ponto futuro da história.

Aqui está um bom exemplo: a professora de dominação de terra Toph, que entra no elenco na segunda temporada é cega. Toph caminha por aí descalça e usa sua dominação para “ver”, sentindo as vibrações do mundo á sua volta. Toph é incrível.

Suas habilidades de “Demolidor” trazem um ponto interessante, pois até o momento a maioria dos dobradores de terra apenas jogavam pedras por aí. Toph expande o entendimento de como a dominação pode ser usada. Suas habilidades ajudam a apreciar melhor a mitologia sem contradizer nada do que já foi mostrado.

A série constrói seu desenvolvimento inicial de algumas formas bem legais. Aprendemos que aquelas toupeiras gigantes (ok, toupeiras-texugo) são os dobradores de terra originais e que Toph aprendeu com eles quando ainda era uma garotinha quando ela escapava de seus pais super protetores. Conhecemos as toupeiras-texugo antes quando as crianças estavam indo pela primeira vez à cidade natal de Toph. A revelação que eles teriam sobre quem seriam os amigos de Toph faz perfeito sentido.

As habilidades de Toph tem um papel na jornada de aprendizado de Aang. Veja, o jovem nômade do ar teve grande dificuldade aprendendo a dominação de terra. Ele cresceu como um grande dominador de ar, mas a terra é seu elemento oposto. Em sua batalha final com o poderoso Senhor do Fogo Ozai, Aang finalmente vence usando a técnica de Toph.

Quando Ozai tenta deferir seu golpe mortal, Aang fecha seus olhos e pela primeira vez em duas temporadas nós assistimos a ele “vendo” as ondas movendo-se através do solo. Aang espera, assim como Toph ensinou, movendo-se no momento perfeito. É um momento incrível, não só porque o mocinho finalmente vence o vilão. É incrível porque subitamente mostra que Aang dominou totalmente os elementos e a si mesmo. Ele tornou-se verdadeiramente o Avatar. A cena não teria dado certo sem o background trazido anteriormente nas temporadas anteriores.

Este é um exemplo entre muitos. Quando Iroh ensina seu sobrinho Príncipe Zuko a usar a dobra de fogo para redirecionar um raio, uma habilidade que inclusive é crucial em cenas importantes. Um dos episódios mais pesados da série é quando a perigosa velha ensina Katara a dobrar sangue movendo a água dentro do corpo do oponente para controlá-los como se fossem fantoches. É tão horrível quanto parece. Então num outro episódio Katara encontra o homem que matou sua mãe e ficamos chocados vendo ela colocá-lo de joelhos usando a dobra de sangue.

É uma cena forte que mostra o quão forte são os sentimentos de Katara com relação a isso, pois vai de encontro a tudo o que aprendemos sobre essa prática. Até Zuko pareceu assustado.

Foi na segunda vez que vi a série novamente que consegui perceber com clareza como os roteiristas conseguiram tal feito. Na terceira vez pude apenas contemplar como eles fizeram tudo isso.

O melhor de tudo isso é perceber como os roteiristas gostam do mundo que criaram. Avatar é cheio de piadas e referências — o homem repolho, a tosse estranha, o homem da boca espumante, a bolsa de Sokka — e cada um deles é um lembrete de como os roteiristas da série fazem bem seu trabalho.

Em um momento da terceira temporada, as crianças fazem referência a uma personagem que não aprece desde a entrada de Toph no elenco. Ela pergunta quem é e logo para e diz: “Sabe de uma coisa, vou descobrir se for importante.” Ela está certa.


Como os jovens heróis, a história cresce por si só.

Muitas das melhores histórias para crianças ficam mais e mais maduras com o passar do tempo. A mais famosa que podemos citar é Harry Potter que com o passar do tempo ficava mais sofisticada com os personagens tornando-se mais velhos a cada ano. “T.H. White’s The Once” e “Future King” seguiram o mesmo caminho junto com “King Arthur”.

A narrativa da série se passa em um ano, mas a audiência cresceu três anos até o último episódio ser lançado. Essa subida até a maturidade passou pela série, e claro pelos personagens.

Na primeira temporada são mostradas algumas histórias secundárias e a devastação causada pela guerra de cem anos promovida pela Nação do Fogo. A segunda temporada introduz temas mais desafiadores como morte, traição e falha. A série tem sua reviravolta durante alguns episódios torturantes onde o amado bisão voador de Aang, Appa, é sequestrado e Aang tem que lidar com sua raiva e tristeza pela perda. A irmã maníaca de Zuko, Azula, o substitui no papel de antagonista, e sua missão para matar Aang aumenta a tensão entre seu conflito com a Nação do Fogo. Na premiere da segunda temporada, aprendemos que o tio de Zuko, Iroh, perdeu seu filho em batalha, e essa informação é mostrada em um dos episódios mais tristes, “As histórias de Ba Sing Se”.

Choro todas vezes que vejo essa cena, não só porque é triste, mas também porque me ajuda a entender o relacionamento mais importante da série.

A medida que a terceira temporada se desenrola, o Avatar já deixou para trás suas brincadeiras infantis que vemos na primeira temporada. As crianças estão atrás das linhas inimigas e o destino do mundo está em jogo. O Senhor do Fogo Ozai planeja conquistar o Reino da Terra não subjugando seu povo, mas queimando-os vivos do céu. Os amigos animais Appa e Momo passam a maior parte da temporada de lado e Aang é repetidamente forçado a reconhecer seu desafio e questionamentos: Ele tem o que é necessário para matar o Senhor do Fogo Ozai, mesmo que isso vá de encontro com seus princípios? Seu amor por Katara arruinará sua amizade se ela não se sentir da mesma forma? Ele poderá buscar o poder para derrotar o Senhor do Fogo mesmo se isso implicar em deixar tudo e todos que ama?

O restante do Time Avatar cresce de sua própria maneira. Katara conseguirá aceitar o que a Nação do Fogo fez a ela e perdoar Zuko? Sokka conseguirá achar seu lugar como não-dobrador num mundo cheio de “super pessoas”. Toph conseguirá… eh… deixar de ser incrível apenas por um segundo para que possamos saber se ela é apenas um ser humano real? (Adoro Toph, mas ela não tem uma “dúvida cruel” como os outros personagens, mas está bom… ela não precisa de uma.

Por último, mas não menos importante, Zuko finalmente entenderá o que seu bondoso tio Iroh tem tentado ensinar desde o início? Ele poderá abandonar a busca pelo Avatar e se libertar de suas crenças tóxicas sobre masculinidade e honra? Ele se tornará um líder que restaurará o equilíbrio à Nação do Fogo, ou jogará tudo para o alto?

Na verdade, vamos falar de Zuko por um momento. Ele é muito importante.


Essa é a uma das melhores histórias de redenção do todos os tempos.

Na minha recente terceira vez assistindo a série, percebi que o mais importante e afetivo relacionamento não é entre Aang e seus poderes, ou suas vidas passadas, ou seu arqui-inimigo Ozai, ou mesmo seu amor verdadeiro por Katara. Na verdade, tem um pouco a ver com Aang. O mais importante relacionamento na série é entre Zuko e seu tio Iroh.

A primeira vez que assisti a série, presumi que Zuko era simplesmente um vilão. Ele tinha aquele rabo de cavalo horrível e a aquela cicatriz na metade do rosto. Ele era petulante e infantil. Seu tio Iroh estava lá para dar um alívio cômico e atuar como equilíbrio contra o constante mal humor do sobrinho. Achava que ele era um personagem simplório e um antagonista fraco.

Mas tudo isso mudou no final da série, e mais ainda quando a assisti novamente. Fica muito mais claro o que acontece desde o início. Iroh já sabia da bondade dentro do Zuko, e já havia começado a ajudá-lo em seu caminho. Ele sabia que Zuko precisava ajudar o Avatar a derrotar seu irmão, o Senhor do Fogo e mantinha a esperança de que conseguisse fazer que seu sobrinho entendesse o mundo como realmente era. Nas três temporadas foi assim, claro que com algumas decepções e dor ao longo do caminho.

Tio Iroh é o melhor personagem na série (desculpe Toph). Sua história é finalmente revelada num episódio triste chamado “Histórias de Ba Sing Se”, é realmente comovente.

Como um poderoso general da Nação do Fogo, Iroh orgulhosamente levou o exército de seu pai para o grande cerco à capital do Reino da Terra. Então, no ápice da batalha, o filho de Iroh morre. Isso o destruiu. Ele desistiu de lutar e o cerco acabou e retornou para casa em desgraça desistindo de seu direito de nascimento e o cedendo a seu irmão Ozai. Depois disso ele partiu para o exílio.

Enquanto estava fora, Iroh começou a viajar ao lado de seu sobrinho problemático e violento, o qual ele viu um eco do seu filho perdido. Ele esperava redimir Zuko para mostrar a ele que guerra e conquista não são os caminhos da honra. Fazendo isso, ele poderá retornar o mundo ao equilíbrio e o mais importante, reaver um filho que ele perdeu inutilmente no campo de batalha.

Crianças podem amar a aventura de Aang completando seu destino como o Escolhido, mas adultos sabem onde fica a grande história. Não é uma comparação justa na verdade. Iroh é o único personagem na série velho o bastante para ter uma história de background realmente comovente. Toda cena entre ele e seu sobrinho tem um peso emocional que outras cenas de série dificilmente alcançam.

Na última vez que assisti a série, fui surpreendido por como a maioria dos “eventos principais” são emocionalmente ancorados não por Aang e o Time Avatar, mas por Iroh e Zuko. Quando Aang e Appa finalmente se reencontram perto do final da segunda temporada, o episódio pivô na verdade é a discussão entre Iroh e Zuko.

Depois de duas dúzias de episódios distribuindo gentileza, Iroh finalmente perde o controle com Zuko e joga as cartas na mesa. “Estou te implorando Príncipe Zuko!” Ele chora. “Finalmente chegou a hora de olhar para dentro de você e fazer as grandes perguntas. Quem é você? E o que você quer?”

Zuko liberta Appa, é claro. Por mais que foi um alívio ver Aang e Appa juntos novamente (e engraçado ver Appa jogando o líder do Dai Li no Lago Laogai), tudo só foi possível devido Zuko finalmente escutar seu tio.

Não é a única vez que a série foca na trajetória do príncipe e seu tio. Na verdade, seus altos e baixos trazem uma âncora emocional para toda a série. O clímax no final da primeira temporada acontece quando Iroh diz a Zuko que pensa nele como um filho. A premiere da segunda temporada acaba com Iroh e Zuko cortando os cabelos e simbolicamente com isso, sua lealdade à Nação do Fogo. A dupla mal aparece em “O Dia do Avatar”, mas a cena mais memorável do episódio acontece no final, quando Zuko diz a seu tio que quer continuar sem ele.

O episódio no estilo velho oeste “Zuko Sozinho” é muito mais sobre a ausência de Iroh do que a jornada de Zuko (também talvez é o único episódio da série sem algum alívio cômico). No final da segunda temporada Zuko trai Katara e ajuda Azula a derrotar Aang, mas é sua traição a Iroh que mais dói.

Terceira temporada, que foca no Fogo, é sem dúvida a temporada de Zuko. Em “O garoto da bandana”, Zuko confessa a seu tio aprisionado que agora ele tinha tudo que sempre quis, mas ainda se sentia perdido. Iroh de costas para a porta da cela, começa a chorar silenciosamente. A esse ponto sabemos que ele não chora por estar decepcionado com seu sobrinho, mas porque ele conhece a dor de Zuko e naquele momento não pode ajudar.

Nas duas partes de “O Dia do Sol Negro” muito se mostra sobre a empolgante e falha tentativa de derrubar o Senhor do Fogo, mas Zuko rouba a cena novamente. Em uma das cenas mais satisfatórias da série, ele finalmente se posiciona contra o pai e diz a ele que vai embora e ajudará o Avatar a derrotá-lo.

Seu pai vê uma oportunidade de atacar o próprio filho com um raio mortal e Zuko usa a técnica de redirecionamento ensinada por Iroh para salvar a própria vida e escapar.

Em “Os atores da Ilha Ember” é mostrado uma fantástica recapitulação da série que está próxima do final. Assistindo os atores explorarem seus defeitos, as crianças veem a si mesmas de uma perspectiva diferente e encaram alguns problemas. O episódio permite que Aang e Katara mais uma vez reflitam na sua situação complicada de “amigos” (Se você ainda não notou, Kataang não me conquistou tanto como a outras pessoas). Mais importante na verdade, isso ajuda Zuko a assistir sua própria história, e com uma pequena ajuda de Toph, perceber que Iroh o amou e ajudou por todo esse tempo.

Quando os dois finalmente se encontram na final da série, Iroh silencia as desculpas de Zuko com um abraço o que confirma o que já sabíamos desde o início.

É o momento mais satisfatório emocionalmente de toda a série. Os mocinhos já ganharam. O resto é só a cobertura do bolo.

Agora, tudo isso sobre personagens e emoções é legal, mas algumas vezes você só quer assistir um monte de grandes lutas com artes marcias e fogo. Isso é uma coisa boa…


E de fato há cenas de luta incríveis.

“The Last Airbender” frequentemente entrega grandes sequências de ação que ficam no limite entre ser apropriadas ou não para crianças (Mesmo Sokka nunca matando ninguém com aquela espada super legal e eu nunca achando que Azula realmente queria matar Aang nas lutas que tiveram.)

Como sua sabedoria e narrativa, as cenas de ação do Avatar e sua linguagem visual é consistente e fácil de entender. Batalhas raramente ficam intensas, tudo é tratado em camadas, ainda assim é quase sempre fácil se manter atento a quem está lutando com quem e quem está fazendo o quê. O diretor da série usa o efeito de câmera lenta em momentos dramáticos, mas mesmo na velocidade normal as lutas parecem estar um pouco desaceleradas. Mesmo quando combatentes chegam perto um do outro, é fácil apreciar suas estratégias, ataques e contra-ataques.

Quanto mais assisto, mais aprecio os vários estilos de luta e técnicas de dobra: as posições fixas da dobra de terra, as evasões aéreas dos dobradores de ar, até estilos distintos de lutas das Guerreiras Kyoshi e do Dai Li.

Sokka, case-se com ela imediatamente.

Na tradição das histórias em quadrinhos de super heróis, cada luta se torna uma disputa entre quantidades conhecidas. A poderosa mas evasiva dobra de ar de Aang consegue segurar as investidas agressivas de Azula? As habilidades de dobra d’água de Katara conseguiriam derrotar um time de dobradores de fogo bem treinados? Toph conseguiria lutar com um grupo de oponentes estando na areia?

A série nos dá muitos duelos como esses, enquanto nos deixa aproveitar momentos em que a equipe inteira trabalha junta, estilo Vingadores. Minha cena predileta é a sequência onde a Equipe Avatar invade o palácio do Reino da Terra para mostrar ao Rei a verdade sobre a guerra fora das muralhas.

Aang e Toph usam a dominação de terra para proteger o grupo enquanto passam á força por muitos guardas do palácio, enquanto Katara limpa os flancos e dá espaço para que eles ajam. Cada quarto que eles entram é mostrada uma cena de ação curta de 10 segundos e cada um deles está presente. A invasão do palácio mostra uma pancada de ação em poucos minutos.

Não é novidade, mas as melhores sequências de ação normalmente são cheias não só de movimentos de lutas e seus poderes, mas pelos personagens que estão lutando contra.

A luta perdida de Katara contra o professor ranzinza da Tribo da Água do Norte é muito mais excitante por que ela se torna uma “rebelde”, e pelo sexismo que o faz achar que ela é indigna de instrução.

A luta entre Zuko e o Almirante Zhao é lindamente mostrada sob um cenário sem lua, ainda mais intensa pois representa o fim de uma rivalidade cultivada por toda a temporada. É também mostra Zuko não contra o Avatar, mas contra um companheiro dobrador de fogo, uma indicação de como sua história vai terminar.

O episódio final com a luta entre Zuko e Azula é o mais eletrizante sequência de luta de toda a série, não só por ser incrível, mas porque mostra dois dobradores de fogo no máximo de seus poderes e o que cada um representa.

A ação começa quase que em silêncio, grandes línguas de fogo azuis e laranjas são vistas de longe. Isso é lindo. No final, Zuko vence não por superar sua irmã, mas por se sacrificar para salvar Katara da crueldade de Azula e de seu raio. É Katara quem finalmente derrota Azula, mas a vitória pertence aos dois.


Há tantas coisas que não mencionei. Temos o estilo de arte, que inicialmente é bem infantil mas ao longo do tempo mostra beleza e sutileza. Temos a ótima trilha sonora, uma mistura de instrumentos virtuais, temas de personagens que grudam na cabeça, e ótimas músicas ambientes.

Temos também o progressismo sutil, com suas personagens femininas, profundas e complicadas, que passam uma mensagem clara de que é mais importante ser você mesmo do que aquilo que a sociedade espera do você.

É literalmente tudo sobre Toph.

“The Last Airbender” atraiu uma grande quantidade de fãs apaixonados ao longo dos anos e foi substituído eventualmente pela bem-intencionada mas menos satisfatória sequência “The Legend of Korra”.

Os mitos do Avatar vão com certeza criar novas histórias, quadrinhos e jogos no futuro. Posso apostar isso, com o próprio Aang, o original sempre se sobressairá sobre os outros.

“Avatar: The Last Airbender” é uma das grandes séries da nossa era.


Artigo de Kirk Hamilton
Traduzido por Lucian Guilherme

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